Workshop no Centro Cultural Solar Ferrão leva o Samba de Cozinha a integrantes da organização Art Helping Life

Na tarde desta quarta-feira (12/08) o Centro Cultural Solar Ferrão (Rua Gregório de Matos, Pelourinho) realizou um workshop com base na cultura afro-brasileira e no samba, em uma parceria com a organização Art Helping Life. Participaram do workshop cerca de 20 integrantes da organização que aprenderam o processo da musicalização e da criação do samba de cozinha, diante da mediação da etnomusicóloga Emília Biancardi, do diretor da Art Helping Life, Velly Bahia, e de Tânia Santiago, coreógrafa e dançarina brasileira residente na Califórnia (EUA), além da participação de integrantes da Orquestra Museofônica.

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Durante a atividade, Emília expôs um panorama a respeito do surgimento dos grupos de samba na época da escravidão que se formavam nas lavouras e casas de engenho, utilizando pratos, colheres e o próprio corpo como instrumentos para a reprodução do som desejado. “Os ritmos e as práticas envolvendo o samba são fruto de uma espontaneidade que surgiu nas cozinhas dos barões e baronesas, lugar onde os escravos transformavam seu cotidiano difícil em formas de lazer, como a dança e a música”, informou.

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Os participantes também aproveitaram a tocata para formarem uma grande roda de samba, na qual cada um pôde dançar e vivenciar um pouco da cultura afro-baiana apresentada por Emília. “É muito importante levar em conta a importância da história por trás dos ritmos, principalmente por estarmos realizando esta atividade num lugar onde tudo isso aconteceu”, disse Velly Bahia referindo-se ao histórico do Solar Ferrão que já foi habitado por ricas famílias de engenho e seus escravos entre os séculos XVII e XVIII. Velly também agradeceu a oportunidade de estar novamente com Emília, da qual já foi aluno pelo projeto “Viva Bahia”.

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Emília Biancardi

A etnomusicóloga baiana Emília Biancardi empreendeu, ao longo de sua vida, importantes pesquisas buscando entender a experiência humana na criação de sons. Nascida em Salvador, passou sua infância em Vitória da Conquista, cidade do interior da Bahia. Desde pequena vivenciou a música com a mãe ao piano e o pai nas batucadas de mesa. Entre o erudito e o popular construiu a sua formação musical, apaixonando-se pelas manifestações populares, afro-brasileiras e indígenas.

Emília possui uma extensa Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais, que apresenta um acervo com mais de mil peças coletadas e recriadas nos cinco continentes, com destaque especial para os instrumentos indígenas brasileiros, além dos africanos  e afro-brasileiros. Doado ao Governo do Estado, o acervo entrará em exposição, e habitará três salas na nova ala do Solar Ferrão, cujo acesso será através da segunda portaria, que ganha ainda salas de acolhimento e de iniciação musical.

  

Orquestra Museofônica

A Orquestra Museofônica é uma proposta pedagógica musical idealizada pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), Ana Liberato, tendo como referencia a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. É composta por cerca por 30 integrantes, funcionários atuantes nas instituições museais e no IPAC, além de músicos convidados. Os instrumentos utilizados nas apresentações são provenientes das viagens de Emília por terras africanas, indígenas, orientais e europeias.

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