Tradição e historicidade musical do povo baiano preservadas em livro

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Mulheres com saias rodadas, homens com os pandeiros na mão. A imagem de Senhor Deus Menino no presépio enfeitado de velas, frutas, flores, folhas da árvore São Gonçalinho e arcos de folha do dendezeiro. É a festa Queimada da Palhinha – baile pastoril em homenagem ao nascimento do Deus Menino, prática cultural mestiça, transmitida de geração em geração, referência de identidade cultural realizada na comunidade de Palmares, em Simões Filho, e que agora ganha um registro oficial no livro Cantigas de um Baile Pastoril – A Queimada da Palhinha. A obra, que conta com o financiamento do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de patrocínio cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), através de edital executado pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias da SecultBA, será lançada na Biblioteca Central dos Barris, no dia 10 de setembro, às 19h. O lançamento contará com a presença dos Mestres e Mestras apresentando a sua arte. Acompanhando o lançamento, uma exposição fotográfica intitulada A Festa da Queimada da Palhinha, assinada pelos fotógrafos Bira Freitas e Uendel Galter, aberta no dia 10 e em cartaz até 20 de setembro.

O resgate da história dessa comunidade e a herança musical – que revela sinais de maneiras de viver e ver o mundo profundamente ligadas ao sagrado, cheias de simplicidade, alegria e fé e de uma beleza impressionante -, integram essa publicação, que reúne letras e partituras de 53 cantigas tradicionais da Queimada da Palhinha – cantigas que mostram os traços da herança cultural ibérica, a contribuição portuguesa na música brasileira, misturadas com as influencias africanas, ritmos sincopados e tambores. Cantigas de um Baile Pastoril é um conjunto musical inventariado ao longo de 13 anos de trabalhos realizados com o grupo. A memória de Mestres e Mestras foi a única fonte de pesquisa para o repertório musical apresentado no livro. Artistas-devotos, todos negros, que vivem na subalternidade, possuem um rico imaginário cheio de mitos, poesias e cantigas. A riqueza cultural das cantigas e de toda a festa atraiu o cantor e compositor Gilberto Gil, que ao tomar conhecimento da pesquisa recebeu o grupo em sua casa para uma mostra dos saberes ancestrais e depois visitou a comunidade participando da festa.

A obra é resultado da pesquisa da historiadora Wayra Silveira e busca valorizar, proteger e registrar as cantigas centenárias do baile pastoril Queimada da Palhinha. “Esta manifestação cultural é portadora de referências à identidade e à memória do país. Este livro pode ajudar a contar aspectos da nossa história e a tirar da invisibilidade um Brasil quase sempre escondido”, observa Silveira, organizadora da publicação. A maestrina e professora Cristina Nascimento assina a coordenação musical do projeto, que conta com o prefácio da etnomusicóloga e educadora Lydia Hortélio.

O livro – Cantigas de um Baile Pastorinho – apresenta uma síntese da celebração com as partituras das cantigas organizadas na seguinte sequência: Entradas, Glórias, cantigas de Jornada, ápice da Jornada, Dramas, Reverência a Nossa Senhora, Oferecimento, nascimento do Deus Menino, cantigas do Cortejo, Queimada da Palhinha, e Despedidas. Esta ordem foi proposta a partir dos diálogos com as pastoras mais velhas, Mestras da Queimada da Palhinha.

Lançamento do livro Cantigas de um Baile Pastorinho

Quando: Quinta-feira, 10 de setembro de 2015, às 19h

Onde: Biblioteca Pública do Estado da Bahia (R. Gen. Labatut, 27 – Barris)

Mais informações: Telefone: 9968-3672

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