Volta ao mundo através da Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi, no Centro Cultural Solar Ferrão

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A Bahia ganhou um presente: a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi que agora está em permanente exposição à visitação do público no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho). A nova mostra apresenta um acervo com mais de mil peças coletadas e recriadas nos cinco continentes, com destaque especial para os instrumentos indígenas brasileiros, além dos africanos e afro-brasileiros, colecionados ao longo de mais 40 anos pela etnomusicóloga e pesquisadora baiana. A exposição é uma das mais expressivas que se têm notícia, sobretudo no que se refere à memória dos índios brasileiros. “Isso é fruto de um trabalho de pesquisa intenso, onde ela procurou mergulhar nas raízes culturais. Em contrapartida temos a formação de uma coleção de instrumentos musicais belíssimos”, afirma Osvaldina Cezar, coordenadora do Solar Ferrão.

Ana Liberato, Emília Biancardi e Dina Cezar_foto Jeferson Vieria (20)

Ana Liberato, Emília Biancardi e Dina Cezar

“É com muita satisfação que a Diretoria de Museus do IPAC abre à visitação pública, a mostra de instrumentos musicais tradicionais coletados pela etnomusicóloga Emilia Biancardi durante anos de estudos e pesquisas. Doado ao Estado da Bahia em 2011, este acervo enriquecerá as exposições de longa duração do Solar Ferrão”, declarou Ana Liberato, diretora da Dimus.  “Aqui encontraremos um pouco da diversidade e legado cultural dos grupos formadores de nossa cultura, por meio dos instrumentos musicais e de sua musicalidade”, completou Emília.

Abertura mostra_Emília Biancardi e João Carlos

Emília Biancardi e João Carlos

Devido a esforços do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e da Diretoria dos Museus (Dimus) agora permite-se o acesso dessa coleção a diversos públicos. “Na verdade, a mostra é um resgate do processo histórico. É também um marco do processo em que Emília se predispõe a ser companheira do Estado no projeto de educação doando esse acervo maravilhoso. Ela influencia a musicalidade da nossa terra e isso é fundamental. Ela opera milagres também enquanto professora, conseguindo despertar nas pessoas o amor pela música”, ressalta João Carlos Oliveira, diretor geral do IPAC.

Desde que começou a sua trajetória, Biancardi influencia grandes nomes na música baiana, entre eles o músico, educador, compositor e arranjador Letieres Leite o qual a coloca como fundamental na sua trajetória, sendo responsável pelo primeiro contato com musica e com a arte. “Emília me influenciou totalmente.  Quando tinha 12 anos de idade no Colégio Severino Vieira fiz parte da uma orquestra brasileira que ela desenvolveu. Posso dizer que tive uma sorte muito grande porque eu não sabia o que era arte na época do colégio, entrei na sala dela por curiosidade e nunca mais saí. Eu acho que foi meu primeiro contato com o que eu desenvolvo hoje, que é o estudo e as composições a partir da matriz afro-brasileira. Tudo proveniente desse primeiro encontro com Emília Biancardi”, explica Letieres, criador da Orkestra Rumpilezz.

“Apesar do acervo didático de instrumentos musicais tradicionais nos permitir a realização de ações educativas, a exemplo das aulas de iniciação musical para crianças e adolescentes e da Orquestra Museofônica, formada por colaboradores do Solar Ferrão e convidados, sentíamos a necessidade de apresentar a riqueza, historicidade e diversidade presentes nesta coleção. Era um compromisso com o público que nos visita, ao mesmo tempo, uma forma de reconhecimento a Emília Biancardi, pelo trabalho de anos dedicado à pesquisa e o incentivo às tradições populares”, declarou Osvaldina Cézar, coordenadora do Solar Ferrão.

Abertura mostra Emília Biancardi (3)

Orquestra Museufônica – Além disso, pode-se aprender mais sobre alguns instrumentos que compõem a história da Bahia e do Brasil através da apresentação da Orquestra Museufônica, a qual foi criada pela própria Emília, com o intuito de ensinar musicalmente a sonoridade, a importância e a evolução dessas peças ao longo dos anos. Raiana Campos, integrante da orquestra, aprendeu a tocar a pouco mais de um ano e meio o berimbau de boca, o tam-tam e o agogô. Ela explica que a principal finalidade é mostrar que todo o Brasil é feito da mistura de culturas e etnias, e que isso é um diferencial que pesa muito na história.  “É um legado muito importante para cultura baiana, nordestina e brasileira. A coleção fala muito em ser mestiço, ser misturado, e quanto é importante lembrar de quem é excluído e isso é extremamente fundamental hoje em dia”, salientou Campos.

Abertura mostra Emília Biancardi (1)

A coleção faz parte do acervo do Centro Cultural Solar Ferrão da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), unidade vinculada a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). A visitação pode ser feita de terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h. Na Rua Gregório de Matos, 45, Pelourinho. Entrada gratuita.

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