Mesa sobre Intolerância Religiosa no “Bahia é África Também”

Líderes religiosos participam do evento aberto ao público, dia 28.10, quarta-feira, no Palacete das Artes, onde está exposto recorte da coleção Claudio Masella. Ação #MusEuCurto Arte, da FUNCEB e IPAC

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Uma mãe de santo, um frei, um pastor… Líderes religiosos da Bahia e especialistas participam, na próxima quarta-feira, dia 28.10, às 17h, da mesa-redonda Intolerância Religiosa na Bahia, ação relacionada à exposição Bahia é África Também, do projeto #MusEuCurtoArte. A mostra foi montada em agosto pela Coordenação de Artes Visuais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), no Palacete das Artes (Instituto do Patrimônio Artístico Cultural (IPAC)). A mesa será mediada por Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI). FUNCEB, IPAC e CCPI são unidades da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

A mesa-redonda será composta por lideranças religiosas como Mãe Jaciara (do candomblé), Frei José Jorge Rocha (do catolicismo,coordenador da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter- Religioso), pastor Djalma Torres (da fé evangélica, prêmio de Direitos Humanos recebido da presidenta Dilma Roussef), além de Sérgio São Bernardo, coordenador da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de outros líderes.

O público tem acesso gratuito ao programa desta quarta e ainda pode conferir a exposição, que é um recorte da Coleção Cláudio Masella, do Solar Ferrão – Dimus/IPAC, até 1.11, domingo. A mostra Bahia é África Também foi aberta em 4.08, atraindo 6.556 pessoas para a exposição, que serviu de referência para palestras e mesas com temas atrelados ao acervo exibido. FUNCEB e IPAC realizam, em parceria, o projeto#MusEuCurtoArte.

 

Herança da Diáspora

“A mesa de encerramento marca o fim desta exposição, que saiu do Solar Ferrão, no Pelourinho, onde existe hoje uma resistência da Diáspora Negra, e foi para o Palacete das Artes, na Graça, atingindo um outro público”, considera Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). “Esta migração foi muito simbólica, já que saiu de um museu para ir a outro, buscando diversificar seu alcance. Um diálogo pluricultural foi promovido, com as ações relacionadas à mostra, levando as pessoas a questionarem sua herança da Diáspora”, conclui a gestora.

A mostra Bahia é África Também conta com mais de 100 obras, que caracterizam a riqueza e a diversidade da produção cultural africana do século XX, expressada em objetos, sobretudo máscaras de rituais, esculturas, estatuetas, tronos de diversas etnias e localidades da África. O tesouro foi coletado em 15 países africanos pelo colecionador italiano.

A curadoria da mostra é de Murilo Ribeiro, diretor do Palacete das Artes, e de Ana Liberato, diretora dos Museus do IPAC – DIMUS, ao qual pertence o Solar Ferrão. Performances de dança, exibição de filmes, palestras e oficinas, debates e apresentações musicais têm contribuído com a dinamização e o sucesso da exposição.

 

Outras linguagens

Na abertura da exposição, em 4.08, uma turma com 14 alunos de Estudos em Dança Afro Brasileira, do Curso de Educação Profissional Técnico em Dança, da Escola de Dança do Centro de Formação em Artes (CFA), da Fundação Cultural da Bahia, apresentou a coreografia Queima, da professora, coreógrafa, pesquisadora da dança afro e mestranda Marilza Oliveira. Também foi mostrado o duo Ressignificações, do formando da Escola de Dança da FUNCEB Jaguaracy Mojegbé.

No dia 29.08 aconteceu a palestra Contatos entre a África e a Bahia no século XIX: Viajantes Atlânticos do Terreiro da Casa Branca, da professora- doutora Lisa Earl Castillo. Viagens feitas por africanos libertos no século XIX foram relembradas na tradição oral do Terreiro da Casa Branca. A palestrante mostrou que, diferentemente do imaginário popular, o contato entre a Bahia e a África não girava apenas em torno do tráfico de escravos.

A etnologuista, professora doutora e acadêmica Yeda Pessoa de Castro foi palestrante do dia 10.09, quando falou sobre o tema A nossa língua africana, a trajetória de uma pesquisa. A renomada especialista em línguas africanas destacou que ignorar as línguas negroafricanas que foram faladas no Brasil é mais uma tentativa de procurar negar a participação de seus falantes no processo de construção do português brasileiro e da segunda maior potência de população melano africana do mundo.

 

As artes cênicas entraram no foco com a roda de conversa  O Universo Afrodescendente no Teatro Baiano, em 19.09, que  reuniu pesquisadores, artistas e grupos, para discutir experiências e produções artísticas em teatro, protagonizadas por negros; elementos da herança de matriz africana na pesquisa cênica local; além dos desafios dos profissionais negros nos setores na Bahia e no Brasil. A mediação foi da professora e membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia Ana Vaneska, com as presenças de Indaiá Oliveira (pesquisadora, atriz), Aldri Anunciação (ator), Evani Tavares (pesquisadora, atriz), Dody Só (ator), representantes do Bando de Teatro Olodum, dentre outros.

O cantor e compositor Roberto Mendes e a representante da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB, Ludmylla Lima participaram da roda de conversa O surgimento do samba na Bahia e influências das matrizes africanas, que aconteceu no dia 3.09. Após o debate aberto ao público o artista fez um pocket show.

Ainda em outubro, 13.10, João José Reis, o premiado autor do livro A morte é uma festa palestrou sobre o tema Tráfico de escravos e escravidão na Bahia no século XIX”. Ele fez um apanhado a respeito do tráfico transatlântico de escravos e da escravidão na Bahia, com ênfase no século XIX, discutindo temas como número dos africanos traficados, trabalho, relações senhor-escravo, alforria e resistência escrava.

Serviço:

Ficha I
Mesa-Redonda Intolerância Religiosa na Bahia, ação relacionada à exposição Bahia é África Também, do projeto #MusEuCurtoArte

Quando: 28 de outubro, quarta-feira, às 17h
Onde: 
Palacete das Artes – Rua da Graça, 284, Graça

Ficha II

Exposição Bahia é África Também, do projeto #MusEuCurtoArte

Quando: até 1º de novembro, domingo
Onde: 
Palacete das Artes – Rua da Graça, 284, Graça

Visitação: terça a sexta, das 13h às 19h. sábado, domingo e feriado, das 14h às 19h

Contatos e informações no Palacete:

Cleide Nunes | (71) 9974-5858

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