MAM pode ter conselho curatorial

Até meados de 2016, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) pode passar a ter um Conselho Curatorial. Essa é uma das ideias do novo diretor do MAM, o artista baiano Zivé Giudice. Em geral, essa instância é formada por especialistas renomados das artes visuais e auxilia nas decisões artísticas de um museu. A formação de um conselho democratiza o conteúdo e a programação de um espaço cultural de relevância para um estado ou país. Além disso, Giudice promete revigorar as Oficinas de Arte do MAM, que promovem cursos de arte gratuitos e já foi recorde de público em anos anteriores.

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Crédito Jefferson Vieira

Outra mudança imediata foi a liberação do casarão do Solar do Unhão para ser exclusivamente um espaço expositivo e de eventos artísticos. Nos últimos três anos o local esteve ocupado também pela administração do museu. No último dia 14 foi realizada visita técnica ao MAM, com Zivé Giudice, acompanhado do secretário de Cultura, Jorge Portugal, que o indicou para o cargo. A comitiva, integrada por autoridades e artistas, conheceram o canteiro de obras desse equipamento público, a maior intervenção predial já realizada no local desde a criação do museu na década de 1960. O MAM integra o grupo de museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

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Crédito Jefferson Vieira

ARTISTASArtistas renomados prestigiaram a visita ao MAM. “Zivé foi um dos diretores na primeira Secretaria de Cultura e, agora, o trabalho dele no MAM vem qualificar as artes plásticas na Bahia”, comentou o diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulú Araújo, presente no dia. “Estamos muito animados com a nova fase no museu”, disse. O artista Caetano Dias também compareceu. “Sempre trabalhamos juntos e estamos empenhados para renovar as artes na Bahia; Zivé reitera o princípio do trabalho e da renovação”, declarou Dias.

O artista e produtor de cinema, Bel Borba, que tem atuado nos Estados Unidos, Suíça e Alemanha alerta da necessidade de “novos ares” para o perfil do MAM. “Zivé tem o apoio indiscutível de grandes artistas de qualidade na Bahia”, afirmou Bel. Já o curador, criador da lendária escola de artes do Parque Lage no Rio de Janeiro e integrante de Bienais de São Paulo, Marcus Lontra, publicou mensagem nas redes sociais. “A nomeação de um profissional da capacidade de Zivé é uma excelente notícia para todos que se dedicam às atividades artísticas e culturais em nosso país; ele é um exemplo de integridade pessoal e para todos que se dedicam à gestão pública, por isso o Solar do Unhão está em boas mãos”, finaliza Lontra.

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Crédito Jefferson Vieira

REFERÊNCIANa visita, estiveram presentes ainda o fotógrafo Pico Garcez, os artistas Paulo Pereira e Sérgio Rabinovitz, além do diretor do Instituto de Radiodifusão da Bahia (Irdeb), José Araripe Jr., dentre técnicos estaduais, professores e artistas. Além do MAM, o IPAC é responsável pelo Passeio Público, Palácio da Aclamação, Solar Ferrão, Palacete das Artes, museus dos Humildes, Recôncavo, de Arte da Bahia, Tempostal, Abelardo Rodrigues, Udo Knoff e Parque Histórico Castro Alves.

O MAM é referência nacional pelo seu histórico museológico e artístico, pela localização excepcional em antigo engenho às margens da maior baía marítima do país, e pelo conjunto arquitetônico tombado como Patrimônio do Brasil. Mais informações no site http://mambahia.com, e nos telefones (71) 3116-8877, 3117-6137 e 3117-445.

HISTÓRIA MAM/UNHÃO – O conjunto do Unhão foi construído ao longo de três séculos (XVII, XVIII e XIX). Embora situado praticamente dentro da cidade, esse conjunto era um complexo agroindustrial do mesmo gênero dos engenhos de açúcar, com casa grande, capela e senzala.  Seu extenso cais e armazéns fazem supor que sua função fosse a de recolher e exportar a produção de engenhos do Recôncavo. O inventário do Visconde da Torre de Garcia D’Ávila refere-se a um grande alambique ainda funcionando em 1853, provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até aquela época o solar só possuía dois pavimentos e “água furtada em ambas as frentes com três janelas e duas nos lados laterais”. Sua distribuição funcional segue o esquema vigente em todo o período colonial: térreo, utilizado como serviço; 1º andar, ocupado pela família; água furtada, utilizada como dormitório de criados. A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e capela-mor da mesma largura e altura. Sua fachada rococó tardio deve ser do século XIX. Terminações das torres inspiradas nas coberturas à Mansard, semelhante às das igrejas de N. S. do Pilar e Convento do Carmo. (FONTE: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC).

CRONOLOGIA

1584 – Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos Beneditinos, o terreno em que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome;

1690 – Residia aí o desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco.

Em princípios de 1700 foi comprado por José Pires de Carvalho e Albuquerque, o velho, que estabeleceu morgado;

1740 – 1ª referência à capela – batizado de uma neta do proprietário;

1757 – O Pe. Manuel de Lima (da Vitória) descreve a capela com fachada para o poente;

1759 – Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque sucede o pai (José) na posse do morgado. Passa a seguir, a seu filho José Pires de Carvalho Albuquerque (o II), e deste para o sobrinho e genro, de igual nome, Secretário de Estado, a quem Vilhena se refere;

1787 – Vistoria da Câmara a uma vala que deveria lançar suas águas no aqueduto que atravessava a fazenda Unhão;

1794 – A igreja é reedificada. No começo do séc. XIX, a propriedade pertencia a Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da T. de Garcia D’Ávila;

1816 – O suíço Meuron instala fábrica de rapé, que funciona até 1926;

1853 – Morto o Visconde, passa à sua filha casada com Antônio Muniz Barreto de Aragão;

1880 – Ainda se rezava missa na capela;

1917 – É vendida a Clemente Pinto de Oliveira Mendes;

1928 – Passa a Valeriano Porfiro de Souza, que a transformou no trapiche Sta. Luzia. Seus descendentes venderiam depois para o Estado.

Restaurações e intervenções realizadas:

1946 – Obras de estabilização, conservação e limpeza;

1959 – O Governo do Estado decide construir a Avenida de Contorno, ligando os bairros do Comércio e Barra. O IPHAN promove vistoria no local e adverte sobre os perigos para o conjunto;

1960 – São iniciadas as obras da Avenida do Contorno, cujo projeto previa uma das pistas passando entre o solar e a capela e a outra destruindo o aqueduto e fonte, o que provoca reação da imprensa. Arq. Diógenes Rebouças propõe um traçado alternativo da avenida, ligando o Comércio ao Vale do Canela, que não interferia no solar;

1962/63 – O conjunto é restaurado pelo Gov. do Estado, para sede do M. de Arte Popular da Bahia, sendo o projeto elaborado pela arq. Lina Bo Bardi e aprovado pelo IPHAN. Nesta oportunidade, foi criada escada helicoidal de ligação do 1º com o 2º andar, obra de notável desenho contemporâneo. Na igreja e em alguns pavilhões foi substituído o reboco por “chapiscado”, então em voga, por influência do Brutalismo.

 

 

Crédito obrigatório Fotos anexas – Lei nº 9610/98: Jefferson Vieira

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