Celebração da Consciência Negra nos Museus DIMUS/IPAC

Para celebrar o 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, a DIMUS/IPAC (Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) destaca as coleções que dialogam com esta data, a qual marca o dia de morte do líder da luta pela liberdade dos negros escravizados: Zumbi dos Palmares. Ele se tornou mártir do movimento pela abolição e tem a sua imagem associada à resistência e força dos povos negros. Para que essa memória não se apague na história é comemorado o Dia da Consciência Negra, momento de reflexão sobre a importância do negro da formação e construção do Brasil e lembrar que a luta contra o racismo ainda perdura nos dias atuais.

Nos museus da DIMUS/IPAC existe uma vasta fonte documental para conhecer ainda mais sobre a história da cultura negra e da influência dos povos oriundos da África para a formação da identidade plural do brasileiro. Espaços como o Centro Cultural Solar Ferrão, Museu Tempostal, Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (em Salvador) e Parque Histórico Castro Alves (em Cabaceiras do Paraguaçu, Recôncavo baiano) abrigam uma variedade de obras em seus acervos que dialogam com a data. Confira:

CENTRO CULTURAL SOLAR FERRÃO

O Centro Cultural Solar Ferrão (Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho) é um espaço dinâmico de arte, cultura e memória, instalado em um dos mais importantes monumentos da poligonal do Centro Histórico de Salvador (CHS). Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938, o casarão construído entre o fim do século XVII e início do XVIII possui seis andares e abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a Coleção Walter Smetak, a de Arte Africana, a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi e a de Arte Popular.

A Coleção de Arte Africana Claudio Masella é composta por mais de 1.000 peças datadas do século XX, representativas da diversidade cultural de grupos étnicos localizados em cerca de 15 países africanos, a exemplo da Nigéria, Benin, República dos Camarões, Burkina Faso, Gana, Costa do Marfim, Libéria, entre outros. São máscaras, estatuetas, instrumentos musicais e utensílios em madeira, metal, terracota e marfim confeccionados em diferentes técnicas, que foram reunidos por mais de 30 anos pelo colecionador italiano. A coleção se configura como privilegiado acervo material das transformações sociais ocorridas no século XX, as quais influenciaram a produção cultural de muitos povos, principalmente dos brasileiros.

Contando com um acervo com mais de mil peças coletadas no mundo inteiro, na Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emilia Biancardi o destaque vai para o módulo temático dos Instrumentos Musicais Africanos e Afro-Brasileiros.  Com uma variedade de berimbaus expostos, instrumento utilizado na Roda de Capoeira, dança/luta que é Patrimônio Imaterial da Humanidade, as obras são apresentadas de forma contextualizada ao lado de fotografias e legendas que permitem entender como são tocadas, o que ajuda a compreender o histórico em que estão inseridas e auxilia nas pesquisas realizadas. Além disso, os visitantes podem escutar, por meio de sonorização ambiente, sons emitidos por elas.

Como forma de valorização das religiões de matriz africana, na Coleção de Arte Popular são destacadas as ferramentas de orixás como o arco de Oxossi (Ofá), a espada de Iansã e o leque de Oxum (Abebé). Nesta mostra também são reunidas peças representativas da Cultura Popular do Nordeste, coletadas entre as décadas de 50 e 60 do século XX. Foi iniciada pelo cenógrafo e diretor de teatro Martim Gonçalves, depois sendo ampliada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. A exposição registra a importância das expressões populares para a compreensão da nossa identidade cultural, e busca disseminar aspectos marcantes da arte nordestina e do contexto socioeconômico em que foi produzida, e conta com esculturas que mostram uma sintonia entre a arte e a vida cotidiana.

Visitação: terça a sexta, de 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h
Entrada: grátis
Rua Gregório de Mattos, 45 – Pelourinho, Salvador (BA)
(71) 3116- 6743

 

MUSEU TEMPOSTAL

Dentre as 50 mil peças que compõem o acervo do Museu Tempostal (Rua Gregório de Mattos, 33, Pelourinho), destaca-se a exposição ‘Pelos Caminhos de Salvador’ onde se pode mergulhar na memória da cidade mais negra fora da África, retratando parte da urbanização, crescimento e modernização da capital baiana. Esta exposição integra a coleção de imagens representativas da Bahia Antiga, a qual possui bastante informação para pesquisa historiográfica, antropológica e sociológica, e é representada por mais duas exposições permanentes: ‘O Bairro do Comércio’, ‘Bahia – Litoral e Sertão’. 33 mil peças que compõem o acervo do Museu Tempostal são procedentes da coleção do sergipano Antonio Marcelino, onde se reúnem postais, fotografias e estampas do final do século XIX e meados do século XX, sendo um dos acervos mais completos do país.

Visitação: terça a sexta, das 12h às 18h. Fins de semana e feriados, das 12h às 17h.
Entrada: grátis
Rua Gregório de Mattos, 33, Pelourinho, Salvador/BA. CEP 40.025-060
(71) 3117-6383

 

MUSEU UDO KNOFF DE AZULEJARIA E CERÂMICA

Com estampas voltadas para a temática das religiões de matriz africana, ressaltando e valorizando a simbologia dos orixás, os azulejos de Udo Knoff em parceria com o pintor e desenhista Caybé estão representados na exposição “Azulejaria na Bahia”, a qual proporciona uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil no século XVII. O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Rua Frei Vicente, 03, Pelourinho) é o resultado da coleção particular do ceramista, natural da Alemanha e radicado em Salvador no ano de 1952.  Contendo peças de autoria de Udo Knoff, além de azulejos dos séculos XVII ao XX, o acervo do museu foi recolhido em grande parte de casas em processo de demolição no estado da Bahia. O museu dispõe de dois ambientes ocupados por materiais referentes à arte da cerâmica e do azulejo.

Visitação: terça a sexta, de 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h
Entrada: grátis
Rua Frei Vicente, 03, Pelourinho, Salvador
(71) 3117-6389

 

PARQUE HISTÓRICO CASTRO ALVES

Contendo um acervo com objetos que pertenceram ao grande poeta abolicionista brasileiro, o Parque Histórico Castro Alves (Praça Castro Alves, 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu) é situado na Fazenda Cabaceiras, lugar onde nasceu Castro Alves. Os visitantes podem pesquisar e mergulhar no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil, num acervo que conta com fotografias, cartões-postais, manuscritos, livros, indumentárias, adornos pessoais, utensílios domésticos e artes visuais, que pertenceram ao escritor e a seus familiares. O Parque é localizado a 170 km da cidade de Salvador e funciona em um espaço com 52 mil metros quadrados. O museu foi inaugurado em março de 1971, por ocasião do primeiro centenário da morte do poeta baiano e dispõe de anexo com sala multimídia, auditório e biblioteca.

Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h.
Entrada: grátis
Praça Castro Alves, 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu/BA.
(75) 3681-1102

 

A Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC) é uma unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

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