Museu Udo Knoff promove visita guiada com foco nos azulejos das fachadas do Centro Histórico

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Na manhã do último sábado (18/02) os especialistas em azulejaria Eliana Mello e Estácio Fernandes, juntamente com o Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica, realizaram uma visita guiada intitulada “Os azulejos da Bahia pelo olhar de Udo Knoff”. Cerca de 20 pessoas interessadas no assunto participaram da atividade que estabeleceu um percurso para visitação dos azulejos nas fachadas das ruas do Centro Histórico indicadas no livro Azulejos da Bahia de Udo. A visita começou pela Casa das Sete Mortes na Rua do Paço, Rua Direita do Santo Antônio, Rua do Boqueirão, Ladeira do Boqueirão e finalizou na Rua dos Marchantes.

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Segundo Eliana, esse foi o primeiro de muitos circuitos que podem ser estabelecidos a partir do livro de Udo. “Ficamos felizes pela quantidade de pessoas interessadas em ouvir sobre esse patrimônio tão singular. Procuramos identificar os exemplares que formam a coleção feita pelo ceramista, preservada hoje como acervo do museu e que foi também registrada nas 60 pranchas em aquarela que ilustram o livro. Na oportunidade, os interessados puderam aprender sobre a azulejaria histórica no contexto urbano, perceber o papel do museu no compartilhamento da memória cultural da sociedade e refletir sobre a importância da preservação deste patrimônio”, explica Eliana Mello.

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De acordo com a coordenadora do museu, Renata Alencar, o sucesso dessa primeira visita guiada vai estimular o próximo roteiro. “Ter especialistas estudando e refletindo sobre a qualidade das coleções dos nossos museus para uso público é sempre algo singular e todos devemos aproveitar essas oportunidades de visitação concreta e expansiva”, declara.

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Eliana é Bacharel em Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis e Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com trabalho sobre a construção do patrimônio azulejar contemporâneo brasileiro, focado na preservação deste patrimônio cultural. É pesquisadora colaboradora na Az – Rede de Investigação em Azulejos, vinculada ao ARTIS (Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), em Portugal. Atualmente está como doutoranda no Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFBA, onde aprofunda a investigação sobre revestimento azulejar de autor produzido entre as décadas de 1950 e 1980, e tem como objetos de estudos os revestimentos cerâmicos que formam o patrimônio azulejar nordestino.

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Estácio é Bacharel em Museologia pela UFBA e tem especialização em conservação e restauro de objetos cerâmicos em diversos centros de estudo de Lisboa. Restaurador de azulejos há mais de trinta anos, tendo atuado na intervenção dos mais relevantes conjuntos azulejares do estado.

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Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica

 O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Pelourinho) dispõe de dois ambientes ocupados por materiais referentes à arte da cerâmica e do azulejo. No andar térreo, a exposição “Azulejaria na Bahia” reúne materiais referentes á arte da cerâmica e do azulejo, além de proporcionar uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil, no século XVII.

No primeiro andar fica a mostra “Arte e Azulejaria” que exibe fotografias de prédios revestidos com azulejos confeccionados pela oficina de Udo Knoff, fruto de projetos de artistas renomados do Estado da Bahia. Também será possível conferir um documentário sobre o colecionador e ceramista. “A coleção do mestre Udo Knoff é, sem dúvida alguma, uma das grandes preciosidades acolhidas pela Bahia”, declarou a especialista em azulejaria Zeila Maria de Oliveira Machado.

O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica é o resultado da coleção particular do ceramista Udo Knoff, natural da Alemanha, radicado na cidade do Salvador, Bahia, desde o ano de 1952.  Contendo peças de autoria do ceramista, além de azulejos dos séculos XVII ao XX de origem portuguesa, inglesa, francesa, holandesa, mexicana e belga, telhas vitrificadas, pratos, jarros e reproduções de azulejos antigos, o acervo do museu foi recolhido em grande parte de casas em processo de demolição no estado da Bahia.

Completam a exposição, objetos confeccionados nas oficinas desenvolvidas pelos museólogos da casa, que realizam atividades educacionais com o objetivo de se manter o desejo de Udo Knoff. O Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

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