Cabaceiras do Paraguaçu e Parque Histórico Castro Alves comemoram os 170 Anos de Aniversário de Nascimento do Poeta

Os 170 Anos de Aniversário de Nascimento do Poeta Castro Alves foram comemorados, em 14 de março, no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), localizado na Fazenda Cabaceiras (no município de Cabaceiras do Paraguaçu, Recôncavo baiano) local onde nasceu o poeta. Na data, além das atividades solenes realizadas em parceria com a Prefeitura Municipal de Cabaceiras do Paraguaçu, o PHCA sediou a premiação dos vencedores dos festivais de declamação de poemas de Castro Alves, a abertura da exposição ‘Imagens dos Vaqueiros da Bahia’ e atrações culturais diversas, como o ‘Boinho de Painho’ (Cabaceiras do Paraguaçu), ‘Mascarados de Maragogipe’, grupo ‘Samba de Roda de Maragogó’ (Maragogipe), grupo de amigos de Bule-Bule com Raimundo Sodré, ‘Germano e Amigos’ e Priscila Sales (ambos de Cabaceiras do Paraguaçu).

Os vencedores (crianças, jovens e adultos) da 16ª edição do Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves e do 3º Festival Infantil de Declamação de Poemas de Castro Alves (realizados na tarde de 11/03) voltaram a se apresentar e emocionar os presentes. Na categoria infantil, a vencedora foi Ingrid Amorim de Albergaria, 12 anos. A candidata, que declamou “As Três Irmãs do Poeta”, usou um vestido feito de jornal criado por ela, pela mãe (Neide) e pelo irmão (o candidato vencedor do 3º lugar da categoria adulto, Vinícius Amorim de Albergaria, 18). “Este festival, e toda a preparação para ele, é uma forma de reviver o passado e a nossa história. Além disso, através dos poemas, vivemos os personagens e expressamos os sentimentos”, declarou Vinícius que participou pela segunda vez do festival. “Tudo isso nos faz relembrar de Castro Alves e de toda a sua importância”, completou Ingrid que já participou outras duas vezes.

Entre os adultos, um veterano conquistou o primeiro lugar, Jansen Nascimento, 43 anos, que declamou “O Navio Negreiro”. Ele, que vive de arte na rua e já participou outras quatro vezes do evento, acredita que este festival é um dos únicos e, com certeza, o mais tradicional na manutenção da arte de declamação de poemas de Castro Alves. Vencedores do segundo lugar com o poema “O Vôo do Gênio”, Juliana Monique, 26, e Cláudio Nyack, 34 anos, concordam com Jansen e esperam poder contribuir para que a tradição permaneça. “Estou à frente de um núcleo de arte para jovens em Mata Escura – Salvador – e ano que vem pretendo trazê-los para este festival”, informou Cláudio.

O prefeito de Cabaceiras do Paraguaçu, Abel Silva, parabenizou toda a equipe do PHCA pelo trabalho realizado durante todo o ano e, especialmente, no aniversário de Castro Alves. “É muito emocionante visitar o Parque Histórico, lugar que como eu, outras crianças estão crescendo e participando de atividades diversas. Este trabalho que é feito aqui é muito importante para resgatar o legado de Castro Alves, mas também para valorizar a cultura da nossa comunidade”, declarou.

O evento – uma iniciativa da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC) – já é tradição na cidade e reúne pessoas de diversas regiões e de todas as idades que prestam homenagem ao grande poeta baiano, autor de Espumas FlutuantesVozes D’África e O Navio Negreiro. A diretora da DIMUS, Fátima Santos, explica que o festival foi criado para homenagear o poeta Castro Alves e incentivar a juventude a usar a poesia para manifestar seus sentimentos. “Os poemas do grande poeta expressam o seu romantismo, o seu amor à pátria, além do intenso sentimento libertário”, acrescenta.

A coordenadora do PHCA, Diogenisa Oliva acrescenta que, além de toda a programação especial, o público pode aproveitar para conhecer o museu que conta a história de Castro Alves e que vem realizando atividades em sintonia com os ideais do poeta. “O público pode usufruir dos projetos socioeducativos permanentes do Parque e ainda de projetos, como uma típica casa de farinha nordestina que foi construída no local e agora da nova exposição de vaqueiros, que dialogam com este ideal e de valorização da comunidade”, explica.

Festivais – Os vencedores, na categoria infantil foram: Ingrid Amorim de Albergaria (primeiro lugar com o poema “As Três Irmãs do Poeta”); Heloísa Santos (segundo lugar com o poema “O Hóspede”); Maria Tereza da Paz (terceiro lugar com o poema “Maria”); Felícia de Sales (quarto lugar com o poema “Fé, Esperança e Caridade”) e Vinícius de Sales Passos (quinto lugar com o poema “O Povo ao Poder”). Na categoria adulto, os vencedores foram: Jansen Flávio Nascimento (primeiro lugar com o poema “O Navio Negreiro”); Juliana Monique com participação de Cláudio Nyack (segundo lugar com o poema “O Vôo do Gênio”); Vinícius Amorim de Albergaria (terceiro lugar com o poema “O Livro e a América”); Carlos Alberto Lima Silva (quarto lugar com o poema “Estrofes do Solitário”); e Gilvana Dias Cerqueira (quinto lugar com o poema “O Coração”). No total foram 34 participantes.

No festival, os jurados analisaram: originalidade (criatividade utilizada para a apresentação do poema), dicção (clareza das palavras pronunciadas na declamação), fluência verbal (correção e a pronúncia das palavras) e fidelidade ao texto (exatidão e o respeito a todos os versos e palavras do poema). Os jurados foram: Eliene Diniz (socióloga e funcionária da Diretoria de Museus), Eliete Teixeira (PHCA), Eliete Teles (professora de teatro), Lorena Santana (bibliotecária e funcionária da Diretoria de Museus), Reiny Oliveira (PHCA), Rubenval Meneses (professor e diretor teatral) e Vanina Cruz (psicóloga e escritora).

Na categoria adulto, os três primeiros lugares ganharam R$ 800, R$ 500 e R$ 300 respectivamente, além de troféu que também foi dado para o quarto e quinto lugares. Na categoria infantil, além de troféu e kit de material escolar com mochila, o primeiro e segundo lugares levaram um tablet e o terceiro um celular.

Mostra ‘Imagens dos Vaqueiros da Bahia’

O estado da Bahia foi o primeiro no Brasil a reconhecer o ofício do vaqueiro como patrimônio cultural (em agosto de 2011), através do Conselho e da Secretaria Estadual de Cultura. Como parte das ações para reforçar esse reconhecimento, o Parque Histórico Castro Alves (PHCA) recebe a exposição fotográfica “Imagens dos Vaqueiros da Bahia”. Com seu gibão e chapéu de couro, alpercatas, alforjes, surrões e facão sempre amolado, o vaqueiro é uma figura emblemática do sertão baiano, do nordeste e de outras regiões do país.

A exposição é composta por imagens resultantes do projeto “Histórias de Vaqueiros: Vivências e Mitologias”, reunindo 16 fotografias de Josué Ribeiro, Bauer Sá e Elias Mascarenhas, com curadoria de Washington Queiroz. Além das fotografias, a exposição traz ainda reproduções de falas de vaqueiros, com textos que tratam sobre o seu dia a dia, sua relação com o trabalho, com os animais, com o meio ambiente, além de reflexões sobre a vida, o amor e a morte, sempre em sua singular linguagem.

Estas imagens trazem à tona o não reconhecimento com que têm sido tratados os brasileiros que viveram e vivem nas brenhas, nos matos, no território rural. Protagonista do maior fenômeno sócio-cultural-econômico de fixação e unidade em toda a região Nordeste e em outras regiões do país, o vaqueiro foi o bandeirante que pontuou o território baiano com locais de pouso e currais que se transformariam nas primeiras cidades do interior da Bahia e do Nordeste. Para tanto, a partir do século XVI, a “civilização do couro” ou civilização vaqueira criou, recriou e cria saberes, procedimentos.

Parque Histórico Castro Alves (PHCA)
Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h.
Endereço: Praça Castro Alves, nº 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu/ BA
Tel.: (75) 3681-1102
Gratuito     

Sobre o PHCA:  Localizado a 170 km da cidade de Salvador, o Parque Histórico Castro Alves é um museu que funciona em um espaço com 52 mil metros quadrados. Situado na Fazenda Cabaceiras, onde nasceu e morou Castro Alves (14.03.1847 – 06.07.1871), o museu foi inaugurado em março de 1971, por ocasião do primeiro centenário da morte do poeta baiano. É o lugar ideal para o público conhecer, pesquisar e mergulhar no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil.

Além de acervo de mais de 400 objetos que pertenceram a Castro Alves , seus familiares e fazem referência à sua vida e obra, formado por fotografias, cartões-postais, manuscritos, livros, indumentárias, adornos pessoais, utensílios domésticos e artes visuais. O Parque Histórico dispõe de auditório aberto com capacidade para 100 pessoas, biblioteca, laboratório de informática, anfiteatro, além de outras áreas onde seus visitantes podem desfrutar de um ambiente onde se difunde os ideais do Poeta.

O público pode ainda usufruir dos projetos socioeducativos Conhecendo as Nascentes; Sarau no Parque; Brincando no Parque como no Tempo de Nossos Avôs; Oficina de Teatro; Baú de Memórias e Sopa de Letras.O Parque Histórico Castro Alves integra a Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Aniversário dos 170 anos de Castro Alves em Cabaceiras do Paraguaçu foto Fernando Barbosa (42) (1)

O Poeta: Antônio de Castro Alves, mais conhecido como Castro Alves, o Poeta dos escravos, nasceu na Bahia, dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, hoje município de Cabaceiras do Paraguaçu. Famoso pelas fortes críticas à escravidão fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerada a maior expressão da época. Suas obras são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D’África, O Navio Negreiro, entre outras. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, encontrou a mais brilhante das gerações, a exemplo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes, para citar alguns dos notáveis. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.

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