Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica

Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica Foto Lázaro MenezesO Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica (Pelourinho) dispõe de dois ambientes ocupados por materiais referentes à arte da cerâmica e do azulejo. No andar térreo, a exposição “Azulejaria na Bahia” reúne materiais referentes á arte da cerâmica e do azulejo, além de proporcionar uma visão cronológica da existência do azulejo disposta do século XV ao XX, incluindo sua chegada ao Brasil, no século XVII.

Exposição no Museu Udo ft. Lazaro Menezes (2)

No primeiro andar fica a mostra “Arte e Azulejaria” que exibe fotografias de prédios revestidos com azulejos confeccionados pela oficina de Udo Knoff, fruto de projetos de artistas renomados do estado da Bahia. Também será possível conferir um documentário sobre o colecionador e ceramista. “A coleção do mestre Udo Knoff é, sem dúvida alguma, uma das grandes preciosidades acolhidas pela Bahia”, declarou a especialista em azulejaria Zeila Maria de Oliveira Machado. Completa a exposição, objetos confeccionados nas oficinas desenvolvidas pelos museólogos da casa, que realizam atividades educacionais com o objetivo de se manter o desejo de Udo Knoff.

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O Museu Udo Knoff de azulejaria e cerâmica é o resultado da coleção particular do ceramista Udo Knoff, natural da Alemanha, radicado na cidade do Salvador, Bahia, desde o ano de 1952. Ao vender sua coleção, Udo Knoff acreditava que a criação de um Museu de Azulejo seria a melhor forma de preservá-la, além de possibilitar a abertura de um espaço de oficinas como meio de educar a comunidade para respeitar e valorizar tal acervo.

Contendo peças de autoria do ceramista, além de azulejos dos séculos XVII ao XX de origem portuguesa, inglesa, francesa, holandesa, mexicana e belga, telhas vitrificadas, pratos, jarros e reproduções de azulejos antigos, o acervo do museu foi recolhido em grande parte de casas em processo de demolição no estado da Bahia.  No ano de 1994, o Banco do Estado da Bahia (BANEB) adquiriu parte da coleção e inaugurou o Museu BANEB de Azulejaria e Cerâmica Udo Knoff.  Após cinco anos, a Instituição passou por processo de privatização e esse acervo foi doado ao Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC). Em 2003 o museu foi reaberto com novo nome: Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica. Desde então o museu vem apresentando o acervo de forma sistemática. A proposta é exibir a coleção, identificando os azulejos e as peças de criação do ceramista Udo Knoff.

Completam a exposição, objetos confeccionados nas oficinas desenvolvidas pelos museólogos da casa, que realizam atividades educacionais com o objetivo de se manter o desejo de Udo Knoff.

Udo Knoff

Horst Udo Enrich Knoff, nascido na Alemanha, na cidade de Halle, em 20 de maio de 1912, falecido a 7 de junho de 1994, na cidade de Salvador, Bahia, filho único de casal de fazendeiros – Erich Alfred Wilhem Knoff e Klara Vom Muller Knoff – estudava agronomia, quando se apaixonou por uma estudante de belas artes. Com o intuito de ficar perto da sua namorada, matriculou-se nesse curso. Como era proibido estudar em mais de uma faculdade, abandonou belas artes e graduou-se em agronomia.

No ano de 1948, Udo Knoff casou-se com a artista plástica Ivotici Becker Altmayer. Na década de 1950, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Cerâmica Duvivier em Jacarepaguá. Tomou gosto pela expressão artística e matriculou-se em diversos cursos oferecidos pelo Museu de Arte Moderna, onde pôde experimentar diversas linguagens artísticas. Em 1952, a convite de Carlos Eduardo da Rocha, Udo Knoff foi a Salvador para expor uma produção de óleo sobre tela na Galeria Oxumaré e encantou-se pela cidade a ponto de mudar-se definitivamente. Abriu um ateliê de cerâmica na Avenida D. João VI, em Brotas que funcionava com cinco fornos para a queima das peças. Em seguida comprou um imóvel na mesma avenida, onde residiu até o fim da vida.

Em 1960, por indicação do Professor Mendonça Filho, foi contratado pelo Reitor Edgard Santos para lecionar cerâmica na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Em meados do ano de 1968, interessou-se pela azulejaria antiga das fachadas dos casarões da cidade e passou a coletar azulejos de construções em demolição. Formou, assim, um rico acervo. Iniciou pesquisa e levantamento desse material e, em 1975, foi a Lisboa, Portugal, no intuito de coletar material para finalizar a pesquisa de azulejos da Bahia, no conhecido Museu Madre de Deus, hoje Museu do Azulejo. Com esse material publicou o livro “Azulejos da Bahia” em 1986.

Sobre a coleção

O azulejo, cuja palavra é de origem árabe e significa pequena pedra cintilante ou polida, apresenta estrutura de corpo cerâmico e corpo vítreo. A tradição maometana cita a vinda dessas peças esmaltadas no ano de 894, procedentes de Bagdad, destinadas a revestir a mesquita de Sidi Okba em Kairuão. A Pérsia se destacou pelo volume de centros de fabricação até pelo menos o século XIII, quando seus produtos eram exportados até para a Península Ibérica.

O amplo centro artístico do mundo maometano atingiu o gosto pela aplicação da cerâmica decorativa. Esta influência foi percebida, inicialmente, de forma reservada na Península Ibérica. Embora tenha se difundido na Espanha, Portugal e Holanda, é Portugal que desenvolve esse material, tanto na forma quanto na matéria ou na função. Sua utilização, essencialmente arquitetônica, desmaterializa as superfícies das paredes e aumenta o campo visual das construções arquitetônicas.

O azulejo chegou ao Brasil no século XVII, pelas mãos dos portugueses. Foi um revestimento arquitetônico muito bem aceito, por apresentar diversas vantagens: material impermeável devido a sua técnica de manufatura (esmalte na superfície), resistente aos álcalis, umidades, ácidos e vapores (desde que a edificação se encontrasse em condições normais de uso), baixa expansão térmica e opção de uma decoração diferenciada. O Brasil é responsável por um significativo acervo de azulejaria, distribuído por todo o território nacional em períodos diversos, mas é no Nordeste que se encontra a maior quantidade deles.

Na Bahia, o colecionador Udo Knoff reuniu azulejos de todos os períodos do Brasil (séculos XVII, XVIII, XIX e XX), além de reproduzir e produzir esta arte durante o século XX. A coleção do Museu Udo Knoff é composta por azulejos portugueses, ingleses, franceses, holandeses, mexicanos e belgas, telhas vitrificadas, pratos, jarros, reproduções de azulejos antigos e obras do artista. Com o olhar atento, o ceramista conseguiu reunir uma grande variedade de padrões de azulejos, estudou a origem, a composição e o tipo de argila com o objetivo de deixar registrada a maior fortuna que Portugal deixou para o mundo, assim como outros países que também desenvolveram esta arte e que aqui chegaram no século XIX, com a abertura dos portos.

Produção de Udo Knoff

O ceramista Udo Knoff, no trajeto de sua vida, dedicou-se à arte da cerâmica. O estudo da azulejaria foi alvo de suas pesquisas, ao buscar identificar a melhor argila, o melhor pigmento e os segredos da temperatura para o seu cozimento. Quanto à cerâmica utilitária ou objetos artísticos, o artista não se destacou, enquanto que a arte do azulejo o seduziu quando chegou à Bahia, ao se deparar com a variedade de exemplares que decoravam os belos casarões da cidade.

O ceramista atuou em diversos trabalhos de pintura de azulejos, seja como criador, seja apenas como executor. Envolveu-se com a manufatura de painéis de azulejos dos projetos de outros artistas, como: Lênio Braga (rodoviária de Feira de Santana), Carybé (casa de Jorge Amado e fachada da agência central do Banco do Brasil, em Salvador), Jenner Augusto (edifício do Banco do Estado de Sergipe e sede da Energisa), Genaro de Carvalho, Floriano Teixeira, Calazans Neto, dentre outros. Atuou profundamente em cópias e releituras de padrões de outros países, como Portugal e Espanha.

O Museu Udo Knoff integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

Visitação: terça a  sábado, de 13h às 17h.

End.: Rua Frei Vicente, nº 03, Pelourinho – Salvador (BA).

Tel.: (71) 3117-6389.

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