Feira de arte ‘Pedra Papel Tesouro’ movimenta o Palácio da Aclamação e promete novidades para a próxima edição

O primeiro fim de semana de fevereiro foi regado à decoração, paisagismo, impressos e muita cultura no Palácio da Aclamação (Campo Grande) com a terceira edição da feira ‘Pedra Papel Tesouro’. Com a proposta de valorização e visibilidade de trabalhos autorais da cena artística da cidade, a feira, que reuniu 38 expositores das mais diversas modalidades, foi gratuita e levou centenas de pessoas ao solar oitocentista.

O evento, que teve a sua terceira edição e sendo a segunda no Palácio da Aclamação, trouxe as produções independentes e muitas vezes inacessíveis para mais perto do público. Impressos, livros, kodekamas (arranjos de plantas em musgos), cerâmicas, culinária, ilustrações, gravuras, objetos de arte e vestuário compuseram o cenário expositivo de trabalhos autorais.

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Um dos organizadores do ‘Pedra Papel Tesouro’, Gilberto Monte, destacou a importância do evento no Palácio da Aclamação. “Quem vem à feira muitas vezes não conhece o Palácio e fica deslumbrado com o lugar. O comentário que escutamos repetidamente é ‘que lugar lindo!’. A feira também oportunizou que as pessoas tivessem essa descoberta. Essa ocupação artística faz com que a cidade conheça a cidade e que as pessoas estejam nos lugares públicos e que são delas. É necessário que esses espaços tenham uma programação que desperte o interesse de quem quer visitar”, afirma.

Gilberto também adiantou algumas novidades que vão estar na próxima edição. “Nesta terceira edição tivemos uma presença de público excelente e também aumentamos o número de expositores. Pretendemos aumentar ainda mais na próxima. Uma das novidades é que teremos apresentações musicais”, diz. “A finalidade deste evento é criar uma rede de conexões entre artistas e pessoas que tenham o trabalho autoral em diversas áreas. Existe uma ampla gama de possibilidades do que pode estar presente na feira”, completa.

Os artistas experimentais Ed Brazz e Vitor Dantas já estão confirmados na próxima edição que acontecerá em março. A feira ‘Pedra Papel Tesouro’ foi realizada pela OGE em parceria com a Movimento Contínuo, Projeto Ativa e a produtora Multi Planejamento Cultural, com apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). A curadoria também foi de responsabilidade da OGE, que convidou os artistas João Oliveira e Iansã Negrão, além da curadora Flávia Bomfim.

A ação integra o Projeto de Dinamização dos Espaços do IPAC que, além de largos e praças no Pelourinho, é responsável pelo Passeio Público e os principais museus de Salvador como o de Arte Moderna (MAM/Unhão), o de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), o Palacete das Artes (Graça) e o Palácio da Aclamação (Campo Grande).

“A gestão de espaços do IPAC na capital e interior, principalmente em momentos de crise econômico-financeira é complexa, por isso estamos abertos também para parcerias público-privadas com artistas, produtores e empresários que proponham novos projetos e ocupações”, afirma o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira. Ele explica que além de projetos artístico-culturais, podem acontecer feiras, ações educativas e sociais, dentre outras ideias.

SOLAR OITOCENTISTA

“O Palácio da Aclamação é um dos mais significativos museus-casas de Salvador. Residência dos governadores da Bahia de 1912 até 1967, o solar oitocentista foi ampliado com projeto do arquiteto italiano Filinto Santoro. Abrigou visitantes ilustres, como a rainha Elizabeth II (1968), e se tornou museu em 1991”, explica a socióloga Eliene Diniz, do setor de pesquisa e documentação do palácio. Desde 2008, a Diretoria de Museus (Dimus) do IPAC está sediada no palácio.

O imóvel tem dois pavimentos e mobiliário em estilo D. José I e Luiz XV, objetos de bronze, porcelana e cristal, tapetes persas e franceses, além de pinturas de paredes e forros criados pelo artista baiano Presciliano Silva (1883-1965), compõem o acervo do palácio.

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